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Comparação entre o alongamento segmentar e o alongamento global na flexibilidade e amplitude de movimento dos isquiotibiais

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Resumo do artigo científico: Comparação entre o alongamento segmentar e o alongamento global na flexibilidade e amplitude de movimento dos isquiotibiais


Autores:
Álvaro Campos Cavalcanti Maciel e Flávia Mendes Martins. Esse estudo foi realizado no Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e publicado na Revista Terapia Manual em 2010.

isquiotibiais-RPG-SouchardO alongamento propicia um ganho de flexibilidade, devido ao aumento no comprimento de estruturas de tecidos moles e pela característica plástica das fibras musculares, como consequência, ocorre o aumento da amplitude de movimento (ADM) das articulações e dos membros.

O alongamento estático é a técnica mais comum entre os vários métodos de alongamentos conhecidos para o aumento da flexibilidade muscular. Dentre as formas de alongamento estático utilizadas pela fisioterapia, destacam-se o alongamento segmentar e o global. De forma geral, há uma maior utilização do alongamento segmentar, método no qual um músculo ou grupos musculares específicos são alongados durante um curto período, que pode variar de 15 a 60 segundos. Porém, na Europa e no Brasil, terapeutas estão recorrendo cada vez mais a um método chamado Reeducação Postural Global (RPG®). Nessa técnica é utilizado o alongamento global ativo, que utiliza posturas para alongamento das cadeias musculares num longo espaço de tempo, durando aproximadamente 20 minutos por postura. A Reeducação Postural Global (RPG) é uma técnica fisioterapêutica descrita originalmente em 1987 por Philippe Souchard.

Desta forma, o objetivo deste estudo é comparar os efeitos dos métodos de alongamento segmentar em relação ao alongamento global quanto à flexibilidade e amplitude de movimento dos músculos isquiotibiais em indivíduos saudáveis.

Metodologia

Foi realizado um estudo do tipo experimental, randomizado, controlado, cego e de caráter longitudinal para comparação dos possíveis efeitos das técnicas de alongamento segmentar e global na flexibilidade dos músculos ísquiotibiais de jovens saudáveis.

Participaram do estudo 30 mulheres da faixa etária de 18 a 30 anos, sedentárias, índice de massa corporal (IMC) abaixo de 28, extensão do joelho menor que 160° (com o quadril a 110º de flexão), não apresentando dor, nem patologia osteomioarticular nos membros inferiores e/ou na coluna vertebral, não apresentando hipermobilidade articular.

Avaliação

Todas as mulheres foram submetidas a uma avaliação física para identificação de deformidades osteomioarticulares e outras possíveis patologias. As voluntárias pré-selecionadas foram distribuídas aleatoriamente por sorteio simples em 03 grupos: grupo AS (alongamento segmentar); grupo AG (alongamento global) e grupo GC (grupo controle), devendo cada grupo ser composto por 10 voluntárias. As intervenções foram realizadas 05 vezes por semana, durante 02 semanas.

Para avaliação da flexibilidade geral foi realizado o teste terceiro dedo chão (DDC). Através do protocolo de avaliação e prancha desenvolvida por Brasileiro, Faria & Queiroz para avaliação da flexibilidade dos isquiotibiais por meio da medição da ADM de extensão passiva do joelho.

Estas medições foram realizadas antes e após cada sessão, durante as 10 sessões e 18 semanas após o término da pesquisa, para se avaliar a manutenção dos ganhos em longo prazo.

No grupo AS, as voluntárias foram submetidas a alongamento estático passivo, onde o membro inferior a ser alongado teve seu quadril fletido lentamente, com o joelho mantido em extensão completa, até que a voluntária referisse sentir o estiramento muscular, no limiar da dor. Este grupo teve o grupo muscular isquiostibiais alongado bilateralmente, com cada alongamento tendo duração de 30 segundos, sendo realizadas 03 repetições com intervalo de 20 segundos entre elas.

– Reeducação Postural Global

No grupo do alongamento global as voluntárias realizaram alongamento da cadeia muscular posterior, seguindo postura adotada na RPG, preconizada por Souchard. Este grupo foi mantido na postura de fechamento do ângulo coxo-femoral com abdução dos braços por 15 minutos.

No grupo controle não foi realizada nenhuma técnica de alongamento.

Resultados

O grupo AS apresentou diferença estatisticamente significante entre o início e o fim da aplicação do protocolo, quanto a ADM, porém, o mesmo não ocorreu quando comparados os valores de início e fim da DDC. No grupo AG, houve diferença estatisticamente significante quando comparados os valores do início com o fim e com o follow-up, para a ADM e, entre o início e o fim para a DDC.

Além disso, os grupos AS e AG apresentaram ADM finais significativamente maiores que o grupo GC (p<0,05), indicando a eficácia dos protocolos utilizados no ganho de flexibilidade.

Conclusão

As duas modalidades estudadas tiveram efeitos positivos quanto à melhora da flexibilidade do grupo muscular ísquiotibiais, porém o alongamento realizado pelo grupo AG pareceu se mostrar mais efetivo na manutenção dessa flexibilidade em longo prazo. Além disso, a melhora do teste terceiro dedo chão sugere que houve um alongamento de toda a cadeia posterior.

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